Grito Interno

A quebra do silêncio que só você escuta. A quebra do silêncio que só, você escuta.

30 de julho de 2010

Ela entrou e eu estava ali
Ou será que fui eu que ali entrei
Sem sequer pedir a menor licença?
Ela de batom caqui
Com os olhos olhava o quê? Eu não sei
Olhos de águas vindas
De outros oceanos

Ela me olhou - Quem?
Quem sabe com ela
Eu teria as tardes
Que sempre me passaram
Como imagens, como invenção!

Se eu não posso ter
Fico imaginando
Eu fico imaginando

Virá com ela que entrega
Virá, sim, assim virá que eu vi
Virá ou ela me espera
Virá, pois ela está ali

Ela amou o que estava ali
Ou será que foi dela o que eu já amei
Como os laços fixos de uma residência?

Ela: Alô!? E eu não reagi
Com os olhos olhava o que eu lembrei
Quando andava indo
Em outra direção

Ela me olhou - Vem!
Quem sabe com ela
Eu veria as tardes
Que sempre me faltaram
Como miragens, como ilusão!

Se eu não posso ver
Fico imaginando
Eu fico imaginando

Virá com ela que entrega
Virá, sim, assim virá que eu vi
Virá ou ela me espera
Virá, pois ela está ali

Ela andou e eu fiquei ali
Ou será que fui eu que dali mudei
Com uns passos mudos
De uma reticência?

Ela me olhou bem
Quem sabe com ela
Eu teria achado
O que sempre me faltava
Cores, colagens, sons, emoção!

Se eu não posso ser
Fico imaginando
Eu fico imaginando

14 de julho de 2010

O filme

Vou pra longe onde o céu borbulha
Onde a cena muda a cada instante
E o tempo pode assim me ver crescer

Vou buscar um pouco de loucura
Pra te ver caindo antes que eu levante
E o chão se abra pra me entreter
Quantas vezes vamos repetir
O teste pra não ter que insistir

Nunca sei se posso andar
Por cima das suas pegadas sem me equilibrar
Fora da sua linha
Abro as nuvens pra apagar
Nosso quadro que não muda o caso a encerrar
O filme não termina

Vou pra longe onde o céu borbulha
Pra te ver caindo antes que eu levante
E o tempo pode assim me entreter
E o chão se abra pra me ver crescer

12 de julho de 2010

feita de papel


Sempre preciso de mais
Essa coisa não tem fim
Pra quem não encontra a paz
Como eu que nunca admiti ser fraca
E não consigo ir para casa
Mesmo quando estou cansada

Essa coisa me cega
Eu já não ligo se o dia clareou
Minha cama me espera
Eu já não sei mais quem sou

O não às vezes pode ser muito melhor que o sim
Por que que eu não sou feita de papel?

Meg Stock

11 de julho de 2010

O anjo velho


"O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente"

Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minh'alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar

Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar

Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só

Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar